quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lyoto comenta o treino para luta com Jones

Lyoto comenta o treino para luta com Jones


Reportagem Jorge Ulisses
Foto divulgação

Lyoto Machida está na ponta dos cascos para a disputa de cinturão do UFC contra Jon Jones, que acontece no dia 10 de dezembro em Toronto, Canadá. O carateca, que já esteve no topo do mundo, conversou com nosso parceiro Jorge Ulisses, do MMA Pará, sobre as expectativas para o confronto.











“A expectativa para a luta são as melhores. Já chegamos lá, fomos campeões uma vez e estamos na beira de novo”, disse o baiano, radicado no Pará, que falou sobre a preparação. “O treinamento está sendo muito elaborado. Estamos treinando há seis ou sete semanas, praticamente, e chegando na reta final agora, parte de estratégia... Vamos entrar com o coração para defender o nosso Brasil”.

Confira abaixo o bate-papo na íntegra:


Confira o Arquivo UFC

domingo, 20 de novembro de 2011



Shogun e Hendo fazem luta do ano; Wanderlei tem volta triunfante no UFC 139

  


Josh Hedges
Henderson e Shogun fizeram uma das melhores lutas de todos os tempos
Henderson e Shogun fizeram uma das melhores lutas de todos os tempos


O UFC 139 realizado em San Jose, EUA, foi especial para os brasileiros. Maurício Shogun acabou derrotado para a lenda Dan Henderson, mas ambos protagonizaram uma das maiores lutas dos últimos tempos no MMA. Wanderlei Silva chutou para longe o fantasma da aposentadoria com o nocaute técnico sobre Cung Le. E Gleison Tibau venceu o compatriota Rafael dos Anjos, conseguindo a terceira vitória seguida no UFC.

Dan Henderson volta ao UFC com vitória sobre guerreiro Shogun

Maurício Shogun vinha de importante vitória sobre Forrest Griffin no UFC Rio, em agosto. Sabia que derrotar o casca-grossa Dan Henderson poderia significar um passo gigantesco para a disputa de cinturão. Porém, não seria fácil, Henderson vinha de três vitórias seguidas. Numa delas havia tomado de Rafael Feijão o cinturão dos meio-pesados do Strikeforce. Em outra, se aventurou no peso pesado e derrotou o maior peso pesado de todos os tempos, Fedor Emelianenko.








E quando começou a luta, o quarentão tratou de mostrar que veio ao UFC para ser campeão novamente. Shogun entrou no raio de ação de Henderson, e tomou um direto que o levou a knockdown, agarrando as pernas do americano. Dan não conseguiu terminar a luta, apesar de acertar duros golpes. O brasileiro se recuperou e então foi sua vez de aplicar knockdown no adversário, mas também não finalizou a luta, que foi para o segundo round.

O segundo assalto começou com alguns momentos de trocação mais franca, e esquentou  ainda mais no terceiro. Henderson voltou melhor, conseguiu outro knock down e quase terminando a luta, mas Shogun resistiu novamente.




No quarto round houve melhora de Shogun, que foi pra cima o tempo todo. Conectou um upper que tonteou Henderson, montou, pegou as costas, mas não obteve êxito em suas tentativas. No derradeiro round, ambos estavam exaustos, mas Shogun passou praticamente todo o tempo por cima batendo, apesar de faltar contundência. O brasileiro também não aproveitou as brechas para finalização, e foi a vez de Dan aguentar apanhar até o fim do round.

A decisão unânime dos juízes sobre o épico combate foi uma vitória de Dan Henderson (48-47), contestada até por Dana White na coletiva de imprensa, afirmando que o combate deveria ter sido declarado um empate.

Aposentadoria? Wand aniquila Cung Le no 2º round e segue vivo no UFC

Para retomar o rumo das vitórias, a lenda Wanderlei Silva deveria vencer o ex-campeão do Strikeforce Cung Le. O 1º round foi só de trocação, como era de se esperar, porém Cung estava mais solto que Wand, que pareceu tenso. O brasileiro inclusive sofreu um knockdown, mas se recuperou rápido. Na segunda parte, o panorama foi o mesmo, com Cung, que lutava em casa, empurrado pela torcida, e acertando os melhores golpes, com Wanderlei tentando responder. Porém, faltando 40 segundo para o fim do round, Wand acertou o queixo de Cung e, sentindo o momento, foi para cima, acertando fortes socos e joelhadas, que derrubaram o adversário. Cung tentou se defender no chão, mas foi atingido por duras pancadas de Wand, até que o árbitro parou a luta, e o Cachorro Louco foi parar na grade, agradecendo aos céus pela redentora vitória.

Se antes do combate questionava-se a aposentadoria de Wanderlei, ele tratou de afastar essa conversa, e espera-se que por um bom tempo. Ainda ouviremos Sandstorm, de Da Rude, em sua entrada. E veremos seu entrelaçar de mãos ao ser anunciado por Bruce Buffer.

Urijah Faber trucida Brian Bowles no 2º round

O duelo entre dois ex-campeões do extinto WEC começou estudado, mas Faber foi melhor, acertando melhores golpes e aplicando queda, punindo Bowles no ground and Pound. No segundo round, o aluno de Fábio Pateta volta para definir, e acerta um golpes no queixo de Bowles, que se escora na grade e tenta se defender. Começa a apanhar no chão e, procurando se defender da “blitz”, deixa o pescoço para Faber aplicar uma guilhotina e ter o braço erguido pelo árbitro, recuperando-se da derrota para Dominick Cruz.

Gleison Tibau vence Rafael dos Anjos no duelo brasileiro





O UFC casou um confronto entre brasileiros para a edição 139. E coube ao potiguar Gleison Tibau e ao carioca Rafael dos Anjos representarem o Brasil em San Jose. Rafael começou rodando muito, e Tibau cercava para tentar colocar para baixo. Porém, foi o carioca que conseguiu uma bela queda, que certamente impressionou os juízes.

No segundo round, Rafael continuou pressionando, mas recebeu um duro golpe no queixo, e foi grogue para a grade. Tibau acertou fortes golpes para finalizar o combate, mas o bravo Rafael permaneceu em pé, esquivando e agüentando as pancadas, e sobrevivendo até o fim do round.

No derradeiro assalto, Rafael tentou reverter a vantagem de Tibau, mas o potiguar resistiu, e ainda conseguiu importante queda, pontuando o suficiente para obter a vitória por decisão dividida.

Premiações

O prêmio de “Luta da noite” foi para duas lutas: Dan Henderson x Mauricio Shogun e Wanderlei Silva x Cung Le. O de “Finalização da noite” foi para Urijah Faber, que finalizou Brian Bowles. Já a honra de “Nocaute da noite” foi para Michael McDonald, que apagou Alex Soto com 56 segundos do 1º round. Os prêmios foram de 70 mil dólares.


UFC 139 - Shogun vs Hendo
San Jose, EUA
19/11/2011

Dan Henderson venceu Mauricio Shogun por decisão unânime
Wanderlei Silva venceu Cung Le por nocaute técnico aos 4:49min do 2º round
Urijah Faber finalizou Brian Bowles com uma guilhotina a 1:17min do 2º round
Martin Kampmann venceu Rick Story por decisão dividida
Stephan Bonnar venceu Kyle Kingsbury por decisão unânime
Ryan Bader venceu Jason Brilz por nocaute técnico aos 1:17 min do 1º round
Michael McDonald venceu Alex Soto por nocaute aos 56 s do 1º round
Chris Weidman finalizou Tom Lawlor com um triângulo de mão aos 2:07 min do 1º round
Gleison Tibau venceu Rafael dos Anjos por decisão dividida
Miguel Torres venceu Nick Pace por decisão unânime
Seth Baczynski finalizou Matt Brown com uma guilhotina aos 42 s do 2º round
Danny Castillo venceu Shamar Bailey por nocaute técnico aos 4:52 do 1º round
FONTE: PVT

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A DINASTIA GRACIE



A DINASTIA GRACIE


MESTRE  HÉLIO GRACIE

"Se você quer um braço quebrado contate Carlos Gracie neste número", dizia um anúncio estampado em um jornal carioca nos idos dos anos 20. Era o inicio do lendário "Gracie Challange" - ou o desafio Gracie - e o começo do vale-tudo. Com grana em jogo, lutadores de capoeira, judô, boxe e wrestler topavam encarar Carlos e seus irmãos em combates sem regras.
Uma dessas lutas aconteceu em 1955 entre Waldemar Santana e Hélio Gracie, irmão caçula e mais franzino de Carlos. Durou mais de 3h 40 minutos. A mais longa da história do vale-tudo - esporte chamado hoje no mundo todo de mistura de artes marciais, em inglês MMA (Mix Martial Arts). Terminou com Hélio estatelado no chão por conta de uma queda aplicada pelo seu rival e em seguida nocauteado por um chute violento desferido em seu rosto.

ACADEMIA GRACIE NOS  ANOS 30 E 40


MESTRE HÉLIO GRACIE NOS ANOS 30


MESTRE CARLOS GRACIE


MESTRE CARLOS GRACIE EM AÇÃO
Aos 42 anos, Hélio, mestre do jiu-jítsu brasileiro, conhecia a derrota pela segunda e última vez em sua carreira. Quatro anos antes, em 1951, ele perdera para um dos maiores lutadores de judô de todos os tempos, Masahiko Kimura, em um combate ocorrido no Maracanã e sob o olhar do então presidente da República Getúlio Vargas e de mais 20 mil fãs.





Na última quinta, dia 28 de janeiro de 2009, o quase invencível Hélio Gracie, acometido por uma leucemia, acabou falecendo aos 95 anos de idade em Itaipava, região serrana do estado do Rio de Janeiro. Um dos patriarcas do jiu-jítsu no Brasil e do vale-tudo, ele é tão importante para esses esportes quanto Jigoro Kano foi para o judô. Assim como Kano é reverenciado no Japão, Hélio merece e será sempre idolatrado como um dos pais do jiu-jítsu brasileiro e da mistura de artes marciais.

MESTRE CARLOS GRACIE




O INICIO DO CLÃ GRACIE


MESTRE HÉLIO GRACIE











O JOVEM CARLSON GRACIE


CARLSON GRACIE ENFRENTANDO WALDEMAR SANTANA
Apesar de ter vencido a maioria de seus combates, foi na derrota para Waldemar e Kimura que Hélio provou para o mundo o valor de sua técnica de luta e pôs à prova o seu espírito guerreiro, jargão comum no vale-tudo. O combate contra o japonês durou 13 minutos.
Antes de finalizar o brasileiro com um golpe chamado à época ude-garame, mas que mais tarde, em sua homenagem, passaria a se chamar Kimura, o campeão de judô dissera a Hélio que se ele o agüentasse por mais de três minutos poderia se considerar o vencedor. O judoca pentacampeão mundial pesava 30 quilos a mais que Hélio e era quatro anos mais novo.


CONDE KOMA


O JAPONÊS LUTADOR DE JUDÔ  MASAHIKO KIMURA FOI O  PRIMEIRO LUTADOR A DERROTAR O MESTRE HÉLIO GRACIE EM 1951.  Com um golpe chamado à época ude-garame, mas que mais tarde, em sua homenagem, passaria a se chamar Kimura.

KIMURA TREINANDO SUPINO
Hélio lutara duas vezes em setembro de 1951 contra o faixa-preta de quinto grau (dam) e segundo maior nome japonês do judô na época, atrás apenas de Kimura, o temido Kato. Uma deu empate e na outra o brasileiro estrangulou Kato até deixá-lo inconsciente.


TANABE ARMLOCK

TANABE

KITORYU

ALUNOS DO MESTRE CONDE KOMA

SAMURAI
O prestígio de Hélio era tão grande que cruzara o pacífico e se aportara no Japão. O jornal da colônia japonesa de São Paulo "Nippak-Shimbu" estampava em sua capa reportagens a respeito do destemido brasileiro que desafiava e aniquilava com todos os que discordassem da supremacia do jiu-jitsu brasileiro, inclusive japoneses.



KODOKAN -  1900


O INTRODUTOR DO JIU-JITSU NO BRASIL MESTRE CONDE KOMA


O JOVEM MESTRE HÉLIO GRACIE


HÉLIO GRACIE TREINANDO


HÉLIO GRACIE  VS. WALDEMAR SANTANA


ROBSON E CARLSON GRACIE
Entre a década de 30 e 50 Hélio enfrentou seis japoneses sem sofrer uma derrota sequer. Nas regras do vale-tudo ele encarou Massagoishi, Takeo Yano, Takashi Namiki e Miaki. Contra Namiaki, a luta terminou quando Hélio estava torcendo o braço do japonês com uma chave de braço. E acabou sendo considerada empate.
Hélio encarou também um judoca chamado Ono. Foram duas lutas na regras do jiu-jítsu/judô e ambas terminaram empatadas, apesar da nítida vantagem do brasileiro. Naquela época só vencia o combate quem finalizava ou nocauteava o adversário, não existiam pontos ou juízes.






Irritada com o sucesso de Hélio, a colônia do Japão no Brasil então passou a exigir a presença de Kimura e Kato para calar o brasileiro e resgatar o orgulho nipônico. E foram atendidos. Mas assim que Kimura chegou ao Rio de Janeiro e viu o franzino Hélio - de apenas 62 quilos - o campeão de judô se recusou a enfrentá-lo. Disse que Kato faria a luta e duvidou da força e da técnica do mestre do jiu-jítsu.
A primeira luta entre Hélio e Kato aconteceu no Maracanã. A segunda no Iberapuera, em São Paulo. Foi lá que Kimura viu seu colega Kato ser estrangulado pelo subestimado mestre do jiu-jítsu brasileiro.
Sem ter para onde correr depois de ver Kato ser finalizado, Kimura finalmente aceitou o desafio e lutou contra Hélio. Apesar de ter vencido o brasileiro, Kimura elogiou a técnica de Hélio e ainda o convidou para mostrar o seu jiu-jítsu no Japão.
Contra Waldemar, a luta mais longa de todos os tempos, Hélio vinha da aposentadoria. Estava há quatro anos sem competir. Waldemar era roupeiro de sua academia e treinava jiu-jítsu desde os 10 anos com Hélio. Estava com 24 anos na época em que derrotou seu mestre com um chute no rosto.





Em 2006, Hélio comentou essa luta. Em entrevista a uma revista brasileira, ele lembrou da derrota para o seu pupilo:
- Como o cara (o jornalista) botou na boca do Waldemar Santana que eu não era grande coisa, eu o desafiei no dia seguinte. Ele aceitou, e mesmo resfriado, lutei. Nem pensei no fato de estar doente ou não, isso pouco me importou. Subi no ringue brigando, a luta durou 3h45. Foi a luta mais longa da história do mundo. Ele pesava 30 kg a mais que eu. Depois dessa luta, a academia Gracie recebeu 125 alunos novos, impressionados com o fato de como um cara magro, com o meu físico, conseguiria brigar durante tanto tempo.
O jornalista a que Hélio se refere em seu comentário acima era o Carlos Renato. Trabalhou como assessor dos Gracies e no jornal Ultima Hora. Foi quem mais atiçou a rivalidade entre Hélio e Waldemar com críticas ao mestre e elogios ao pupilo. Mas o racha entre os dois lutadores de jiu-jítsu aconteceu quando Waldemar decidiu enfrentar o atleta do boxe Biriba, conhecido por protagonizar lutas arranjadas (marmeladas).












Hélio ficou furioso quando viu Waldemar acabar com Biriba em apenas sete minutos apesar de sua ordem expressa para que não lutasse. Então demitiu e expulsou Waldemar de sua academia. O ex-pupilo de Hélio passou a treinar na Academia Haroldo Britto, em Ipanema. E deu ouvido aos conselhos de Carlos Renato, que acreditava que ele bateria seu mestre.
Vale ler a crônica escrita à época da vitória de Waldemar pelo jornalista Nelson Rodrigues. Já usei esse texto em um artigo anterior, mas não custa relembrar, especialmente após a morte de Hélio:
"Há 20 e tantos anos que os Gracie mantinham uma invencibilidade que parecia definitiva. Por isso há tanta gente querendo dar rádio, televisão e até ferro elétrico a Waldemar. E não há dúvida que ele bem o merece. No dia de sua vitória, houve uma alegria universal, sim. O fraco sentiu-se menos fraco, o humilhado menos humilhado, e o marido que não pia em casa levantou, por 24 horas, a crista abatida. Todos nós somos cúmplices de Waldemar". (Crônica de Nelson Rodrigues escrita em 1955)
O nocaute de Waldemar sobre Hélio rendeu-lhe o apelido de "O Leopardo Negro" e um prestígio eterno no vale-tudo. Anos depois, mestre e pupilo fizeram as pazes, mas não antes de o sobrinho e aluno de Hélio, Carlson Gracie, filho de Carlos, vingar o nome da família e derrotar Waldemar.
Hélio aprendeu a chamada arte suave (significado de jiu-jitsu em japonês) com seu irmão Carlos, o mais velho de cinco filhos homens. Segundo Hélio, seu aprendizado foi todo na base da observação, já que não podia participar das aulas de seu irmão. Hélio era muito magro e tinha um problema de saúde que o levava a desmaiar sem mais nem menos. Por isso, era proibido de treinar jiu-jítsu por sua mãe, a cearense Cislane Pessoa.
Junto com Gastão Gracie, Cislane teve cinco filhos homens: Carlos,Oswaldo,Gastão Filho,George e Hélio Gracie. Carlos tivera seus primeiros contatos o esporte chamado então de ju-jitsu no circo de seu pai. Além de proprietário de circo, Gastão foi dono de cassino, importador de minério e diplomata - carreira que abandonou para casar com Cislane.







Gastão teria sido um diplomata se não tivesse se apaixonado pela mãe de Hélio. O pai de Gastão era um banqueiro escocês chamado James, que se mudou para o Rio de Janeiro em 1870. Depois de estudar na Alemanha e retornar ao Rio para trabalhar como diplomata, Gastão acabou cruzando Belém do Pará, onde conheceu Cislane. E por lá ficou.
Sem emprego certo, Gastão fundou a companhia American Circus com os Irmãos Queirollo. E contratou o time de ju-jitsu do Japão comandado por Mitsuyo Maeda - que em suas apresentações pelo México ganhou o apelido de Conde Koma por conta de seu semblante sempre tristonho.
Conde Koma, junto com seu amigo Sanshiro Satake, passou a apresentar o ju-jitsu no circo de Gastão em 1917. O que chamou a atenção de Carlos, um adolescente brigão que costumava se meter em encrencas na escola.
O professor dos Gracies saiu do Japão em 1904 e passou pelos Estados Unidos, México, Cuba, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina e Uruguai, antes de finalmente chegar ao Brasil, mais precisamente em Porto Alegre. Em 1915, Conde Kome apresentou seu show de ju-jitsu em circos e teatros no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, São Luís, Belém e, no dia 18 de dezembro, no teatro Politeama em Manaus, em um espetáculo promovido por Otávio Pires Júnior.
Eram apresentações do tipo desafio entre artes marciais. O lutador de boxe Adolfo Corbiano, de Barbados, e os de luta livre romana Nagib Asef, da Arábia Saudita, e Severino Sales participaram das apresentações do mestre Conde Koma.
Muita gente gostou da luta trazida pelos japoneses e um torneio de ju-jitsu foi organizado entre os dias 4 e 8 de janeiro de 1916 em Manaus. Conde Kome ajudou a promover o campeonato que no fim foi vencido por seu amigo Satake.
No dia 9 de janeiro, um dia depois do torneio, Conde Kome partiu para a Inglaterra. Só retornaria para o Brasil em 1917, quando se aportou em Belém do Pará com sua mulher May Iris Maeda. Lá, ele tinha a missão de receber e orientar os japoneses que migravam para o Brasil. Mas acabou ingressando no circo de Gastão, onde ensinou ju-jitsu a Carlos, o primogênito dos Gracies.
O primeiro contato de Gastão com o ju-jitsu foi em 1916, antes mesmo de conhecer Conde Koma. Naquele ano, ele trabalhou como empresário do lutador italiano Alfredi Leconti em um combate contra Satake ocorrido em Manaus. No dia da luta Satake teve um problema de saúde e seu parceiro Laku entrou em seu lugar. No fim, venceu o italiano.
Uma curiosidade: em 1919, Conde Koma e Satake enfrentaram-se em Manaus e o mestre dos Gracies sofreu a única derrota de sua vida. Mas esse fato é omitido em várias biografias dele.
Depois de aprender o ju-jitsu com Conde Koma, Carlos passou a ensinar sua arte marcial em sua academia. Hélio tinha 15 anos. Um dia, Carlos faltou à aula e Hélio, que mal tinha tido contato prático com jiu-jitsu, ensinou em seu lugar. Foi um sucesso. Alguns alunos pediram a Carlos para que deixasse Hélio dar aulas junto com ele.
De aprendiz Hélio tornou-se um patriarca do jiu-jítsu brasileiro. Junto com Carlos, passou a aperfeiçoar essa arte e a criar as chamadas "alavancas", variações de ângulos dos punhos e das pernas que permitem usar menos força na hora de executar os movimentos da arte suave.
Carlos e seus quatro irmãos continuaram treinando e aperfeiçoando o jiu-jítsu. Mas foi Hélio o mais testado entre todos eles. Depois de lançar os desafios Gracies, Carlos participou de três lutas de vale-tudo contra atletas de outras modalidades. Duas contra o judoca e representante do jiu-jítsu japonês Geo Omori, em 1924. Ambas terminaram empatadas e ocorreram em São Paulo, mas numa delas Omori terminou com o braço quebrado. E uma contra um capoeirista chamado Samuel, que apesar de ter segurado os testículos do Gracie acabou finalizado.
Carlos então deixou de lutar e passou a treinar Hélio e seus irmãos para os desafios. Hélio, além de ter encarado oitos japoneses e o "Leopardo Negro" Waldemar, também enfrentou Erwin Klausner e Antônio Portugal, atletas do boxe, Fred Ebert e Orlando Américo da Silva , da luta livre, e um tal de Espingarda. Com regras diferenciadas, apenas submissão e pancadas no corpo, derrotou os brasileiros Caribé e Azevedo Maia.







Para se ter uma noção da fama dos Gracies, em 1934 um lutador de luta - livre chamado Manoel Rufino dos Santos publicou cartas em jornais classificando como armação os combates protagonizados pelos Gracies. Revoltados, Carlos, Hélio e Gastão Filho foram até a academia de Rufino tirar satisfações. Esquentado, Hélio partiu pra cima de Rufino e o espancou. Os três irmãos então acabaram na cadeia.
O caso foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal que condenou Gastão a 14 meses de prisão e Hélio e Carlos a dois anos. Porém, graças a uma campanha orquestrada pela poetisa Rosalina Coelho Lisboa, casada com Antonio Larragoiti (da família que fundou a SulAmérica Seguros), o presidente Getúlio Vargas beneficiou os Gracies com um indulto e eles acabaram soltos.
O pedido de indulto foi subscrito por cinco ministros de estado - entre eles Oswaldo Aranha, da Fazenda, e Juarez Távora, da Agricultura.
Os desafios da família Gracie tomaram forma e um caminho definitivo quando um dos filhos de Hélio, o primogênito Rorion, mudou-se para a Califórnia na década de 70. Depois de ensinar ao ator Mel Gibson como estrangular um inimigo em seu filme "Máquina Mortífera", Rorion ganhou uma certa projeção na mídia americana e mais alunos em sua academia localizada na garagem de sua casa.
Assim como Carlos e Hélio, Rorion passou a publicar anúncios em jornais desafiando outras modalidades. No fim da década de 80, início de 90, ele lançou fitas VHS com a história dos Gracies.
Várias cenas de lutas de torneios de vale-tudo organizados no Brasil foram mostradas no filme, assim como combates de Rorion na garagem de sua casa.
Instigado por um aluno, Rorion montou a War of The Worlds (WOW) e com a parceria de uma produtora americana inventou em 1993 o Ultimate Fighting Championship (UFC) - torneio que inicia a era moderna do vale-tudo.
O UFC trocou de mãos e hoje é comandado pelos irmãos Fertitta, dois ítalo-americanos donos de cassinos. Até o fim de 2008 a marca valia mais de US$ 1 bilhão. Nos Estados Unidos o esporte que mais cresce é o MMA, revestido de UFC.







O UFC surgiu como uma vitrine para o jiu-jítsu mostrar ao mundo a sua superioridade frente outras artes. Royce Gracie, filho de Hélio, venceu três dos quatro primeiros torneios organizados pelo UFC. Royce pesa 70 kg e é pouco musculoso. É uma versão moderna do pai. E assim como Hélio, Royce derrotou lutadores bem mais pesados, de até 120 kg, e tornou-se uma lenda do vale-tudo. Hoje em dia, até o exercito americano treina o jiu-jítsu brasileiro.
Hélio pediu festa e alegria no dia em que morresse. Tristeza é sinal de fraqueza e Hélio tem horror a gente fraca de espírito. Seguem frases do mestre Hélio, algumas polêmicas e outras sobre o jiu-jítsu, arte a qual ele dedicou sua vida. A fama de pioneiro e visionário das lutas ficará preservada em memória de Hélio. Sua história perdurará por gerações e será sempre um exemplo de superação.




•       Além da tradição de praticar artes marciais, os Gracie seguem à risca outras duas: ter muitos filhos e batizá-los com nomes que iniciam com as letras R ou S. Carlos Gracie teve 21 filhos e Hélio Gracie teve nove filhos. Robson Gracie, filho de Carlos, tem 11 filhos enquanto que Rórion Gracie, filho de Hélio tem sete. Royler Gracie, um dos nove filhos de Hélio, tem quatro filhas que possuem a letra R nas iniciais de seus nomes: Rainá, Raísa, Rauane e Rarine. Atualmente, existem 147 descendentes dos Gracie.


Frases do mestre do jiu-jítsu brasileiro:
"Para dizer a verdade, eu nunca amei mulher nenhuma. Eu gosto delas, é diferente. Porque amor é uma fraqueza e eu não tenho fraquezas".
"Essa história de mulher independente foi inventada por homens preguiçosos".
"O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição. Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atleta, seja qual for sua especialidade". (Entrevista para a Fightingnews.)
"O objetivo do Jiu-Jitsu é, principalmente, benificiar os mais fracos, que não tendo dotes físicos são inferiorizados. O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que não aceita certos regulamentos e tempo determinado. Essas são as razões pelas quais não posso, com minha presença, apoiar espetáculos, cujo efeito retrata um anti Jiu-Jitsu". (Fightingnews).




























"Tudo o que eu aprendi na vida eu aprendi observando. Por isso eu não dou aula para ninguém com alguém assistindo, porque eu acredito mais em que vê do que em quem az. De maneira que, confiando nisso, eu passei a fazer a coisa com perfeição. E fui descobrindo as alavancas que todos nós temos. A necessidade que fez isso. Quer dizer, eu não fiz por inteligência e nem genialidade. Os japoneses acham que sou um gênio. Mas não sou nada, sou até burro em certas horas". (Entevista para a revista Faixa Preta em agosto de 2006).
"No posso me furtar a aceitar toda essa chateação (bajulação da imprensa) senão viro besta, fico antipático, presunçoso e vaidoso". (Revista Faixa Preta)
"Todos querem o melhor e o jiu-jitsu dá isso ao mundo. O jiu-jitsu não demanda de seus alunos força física e é bem simples quando bem guiado". (Fightingnews).
"Todos querem uma derrota dos Gracies. Essa é a parte desagradável do jiu-jitsu, devido à sua clara superioridade técnica. Nós deixamos todo mundo numa saia-justa". (Fightingnews).
"Quando você tem mais confiança em si mesmo, você é automaticamente mais tolerante. Você tem condição de meditar de se pôr no seu devido lugar sem precisar lutar, e isso assusta os valentões". (Fightingnews).
"Eu não inventei o jiu-jítsu, apenas o adaptei para mim, criando alavancas que me deram condição de fazer os movimentos necessários sem precisar usar muita força ou habilidade para superar lutadores maiores e mais fortes do que eu". (Fightingnews).
"(Jiu-jitsu) é a luta do fraco, onde o fraco tem condições de vencer o mais forte usando o mínimo de força necessária". (Fightingnews).
"Nunca fui finalizado na vida!"
Vídeos do mestre Hélio no youtube
Hélio Gracie fala sobre Jiu-Jítsu:
http://www.youtube.com/watch?v=SsmWUQ5SRco&feature=related
Hélio Gracie fala sobre o início do Jiu-Jítsu e do Vale tudo:
http://www.youtube.com/watch?v=BG309oqVLb4http://
Hélio Gracie VS Kato:
http://www.youtube.com/watch?v=HMAu0A-vQm8&feature=related
Hélio Gracie VS Kimura
http://www.youtube.com/watch?v=mSPL2BFepgU&feature=related